STRYPER E A TURNÊ LATINO-AMERICANA

A lendária banda hardrocker oitentista, STRYPER, passou por aqui celebrando 40 anos de estrada - 42, na verdade, mas a dezena é mais bonita. Foram cinco cidades agraciadas, começando por São Paulo (em 27 de julho), passando por Curitiba (em 28 de julho), Porto Alegre (30 de julho), Belo Horizonte (01 de agosto) e encerrando em Rio de Janeiro (02 de agosto).
O Brasil foi o último destino de uma turnê pela América Latina, que começou no México; mas estou certo de que fomos os mais abençoados! Afinal, foi só aqui que a banda contou com a abertura de BRIDE e NARNIA, duas verdadeiras instituições do rock cristão, cada uma na sua especialidade - heavy metal e power metal (ou algum outro rótulo parecido). A realização do evento veio do trabalho conjunto de Venus Concerts e En Hakkore Records.
Aliás, registro, aqui, meus sinceros agradecimentos à En Hakkore Records, que, em menos de três anos, já trouxe pra cá dois concertos do PETRA (Petra + Waymaker/Divinefire + Allos, em dezembro/2023; e Petra + Bride + Fruto Sagrado, em outubro/2024), dois do NARNIA (Narnia + Bob Rock, em setembro/2023 e, agora, com Stryper) e dois do BRIDE (Bride + Petra, em outubro/2024 e, agora, com Stryper). E prepare seu coração, pois os caras vão trazer PETRA + WHITECROSS, em janeiro/2026. Nada mal para um selo que surgiu em 2023!
Infelizmente, estive numa destas datas da turnê quarentenária do STRYPER. Digo "infelizmente", pois queria ter ido em TODOS OS SHOWS, mas, por questões geográficas e financeiras, "tive" de escolher apenas o evento em São Paulo, realizado no Vip Station, de Santo Amaro.
A expectativa estava altíssima! BRIDE e NARNIA, que já tive o prazer de conhecer em eventos anteriores, de 2023 e 2024, estão com tudo em cima. Dale Thompson mantém seu vozeirão monstruoso e característico no alto de seus 61 anos de idade. Christian Liljegren é um dos vocalistas mais carismáticos do metal. Ambas as bandas têm cadeiras cativas no meu coração. Já STRYPER... bem, Stryper dispensa apresentações! Banda amada por cristãos, por ateus, por metaleiros truezões, por pagodeiros, por gregos, por troianos. Era a primeira vez que eu veria estes caras e a expectativa podia tocar o pico do Pico da Neblina. A ansiedade também.
O show começou sem atraso. BRIDE, a banda que, hoje, é 50% estadinudense (com os irmãos Dale e Troy Thompson) e 50% brasileira (com Nenel Lucena, no baixo, e Alexandre Aposan, na bateria), estremeceu a casa com Rattlesnake, Would You Die For Me, Beast, Scarecrow, Everybody Knows My Name... só os clássicos da fase heavy metal; e, calma, que melhora: o hino absoluto, Heroes, foi executado ali, naquele palco, pela primeira vez após décadas de "esquecimento" (dizem que os caras não tocavam Heroes assim, ao vivo, desde 1989).
Pouco menos de 40 minutos de pura adrenalina depois, sai Bride, entra NARNIA, com Christian, sempre muito empolgado, vestindo uma camiseta da seleção brasileira de futebol, levantando o astral da galera espectadora. E dá-lhe Rebel, No More Shadows from the Past, You Are the Air That I Breathe, I Still Believe... só petardos! Dois momentos "narnianos" merecem destaque: Long Live the King com uma "adaptação" nacional no corinho - "Vida Longa ao Reeeeeei"; e Ocean Wide, que estará no novo CD do grupo e foi executada, pela primeira vez no mundo, precisamente ali, no Vip Station.
Sai Narnia. O palco escurece. Começam uns acordes de suspense. Entra Robert Sweet, com os gritos do público. Uma paulada de bateria tem início: é I.G.W.T. (versão de In God We Trust regravada no álbum Reborn). Entra Michael Sweet... e lá estavam eles, STRYPER, mandando um repertório insano de clássicos (Calling on You, Free, All for One, More Than A Man) e atualidades (Sorry, Divider, The Valley, Yahweh). Nem mesmo uma falha técnica (um ruído ensurdecedor que interrompeu a banda por um tempo) tirou o encanto do momento. Não bastasse, Michael é extremamente carismático, conversando com o público, distribuindo palhetas (quase peguei uma! Eta, mão furada!) e, até, as famosas bíblias personalizadas pra galera. Robert ainda jogou umas baquetas e o baixista, Perry Richardson, jogava até umas garrafinhas de água finalizadas pro público.
No final de Soldiers Under Command, a banda se "despede" daquele jeitinho maroto: indo, mas voltando logo em seguida, só pra criar uma pausa dramática. Começa Sing-Along Song e, depois, aquela suculenta cereja do bolo: To Hell With the Devil. Que espetáculo! Michael, com seus 62 anos de idade, cantando e tocando guitarra daquele jeito, é uma inspiração.
Voltando um pouco no tempo, enquanto ainda estava na fila da entrada, ouvi uma conversa de que Oz Fox, o lendário guitarrista fundador do Stryper, não embarcou na turnê latina. O motivo: recomendação médica. A saúde de Fox está seriamente comprometida, de forma que a banda vem sempre pedindo orações dos fãs pelo valoroso amigo. Howie Simon, músico muito experiente, vem segurando as pontas sempre que necessário. Mas Oz Fox é Oz Fox. Que Deus opere um milagre!
O evento se encerra após pouco mais de uma hora e meia de STRYPER. Com uma média de 40 minutos de BRIDE e 40 minutos de NARNIA, foram-se uma das melhores três horas e meia da minha vida. Sei que as chances de os caras lerem essa postagem são praticamente nulas, mas...
THANK YOU, BRIDE AND NARNIA! THANK YOU, STRYPER!! Please, come back to Brazil anytime!
E encerro o post do dia dizendo uma coisa: se você (VOCÊ!) curte este tipo de som, vá ver estes caras enquanto ainda estão na ativa! Não é sempre que estas oportunidades pintam por aqui e muitas destas bandas estão com músicos beirando o sexagenário. Uma hora, se aposentam... e, aí, já era! A vida é feita de momentos memoráveis e é aquela zoeira: "não vale a pena, vale a galinha inteira".